segunda-feira, 30 de março de 2009

Genoa

Essa semana fui para Genoa, conhecer a terra do safadinho que tomou conta da América =)
em português, Gênova, terra de Cristóvão Colombo, local repleto de palácios Ducais, um belo porto, montanhas, casinhas e um dos maiores aquários no mundo, tem seu charme em função de estar à beira do Mar Mediterrâneo, ser um local de trocas comerciais (antigamente, talvez ainda agora).
Foi só eu e a Fernanda, porque nossa aula foi cancelada pela décima vez só esse mês, ficamos só o dia por lá, porque começou a chover por lá e já tínhamos meio que terminado de conhecer a cidade.
Chegamos à Torino, fomos visitar a Basílica Superga, localizada no topo de uma colina. Belíssima construção, fomos lá à noite, então a iluminação contribuiu ainda mais para a visão deslumbrante, tanto da Basílica como da panorâmica da cidade.
Ainda neste fim de semana, planejamos toda a nossa viagem de Páscoa; comprei um passe Eurail, pois vale mais a pena considerando todos os preços dos bilhetes de trem comprados separadamente. O itinerário é pegar um trem de Torino e ir direto para Paris, conhecer Versailles e ir para Mont Saint Michel, cidade onde localiza-se um monastério no topo da montanha, que, em época de cheia do rio, fica totalmente ilhado pela água.
Depois disso, o plano é vir para o sul da França, começando por Marseille, depois Nice, Cannes e Principado de Mônaco, o segundo menor país do mundo (porque o primeiro é o Vaticano) e onde se localiza o maior cassino do mundo, Monte Carlo.
Seguindo viagem, passaremos para Praga, e depois Budapeste, quando eu me mando de volta pra Torino, de volta à chassina dos italianos que não gostam dos brasileiros...
De resto, tudo bem! =)
Saudades de churrasco, maiosese da mãe, UFRGS???
Nãoooo, nem pensar heheheheh

Berlusconi me expulsará??

Essa seman foi casca. Seguindo a sequência (?) das apresentações de projeto arquitetônico, apresentamos nossa primeira proposta concreta para a região da nova estação ferroviária em Torino, e acho que NUNCA em toda a minha vida fui tão xingada na universidade. Foi uma mistura de xenofobismo com indelicadeza que não há explicação racional para tamanha grosseria. Nosso grupo foi o último a apresentar, e um dos professores simplesmente foi embora no meio da apresentação, mas não antes de fechar com chave de ouro: "De onde vocês são? Brasil? ah, o Brasil é muito grande, talvez lá funcione, mas aqui isso aí não funciona não" BRASIL?? tá, mas eu estou aqui para aprender, carino!
O outro professor simplesmente chutou o balde e ficou interrompendo a gente o tempo inteiro, não deixava a gente apresentar a idéia, insisitia que tava inadmissível tal escala e não poucou nem um pouco o fato de a gente não ter o italiano bem fluente, de a gente não morar na Europa e de a gente não ter nenhum italiano no grupo...
é, vai ser foda.

Bélgica

Voltando a dar notícias, porém nada novo para os frequentadores do blog, dei uma passada pelo país belga, sede do chocolate mais famoso do mundo, dos waffles, das casinhas com fachadas coloridas.
Conseguimos umas passagens pela Ryanair de Milano para Bruxelas,
muito baratas, mas foi realmente a maior indiada do século, porque o aeroporto "de Milano" é na verdade na cidade vizinha, Bergamo, e o aeroporto de Bruxelas é na verdade na cidade vizinha também, Charleroi, o que nos exigiu muitos gastos com transporte. Como o vôo era de Milano, aproveitamos para conhecer a cidade, o Duomo repleto de detalhes arquitetônicos, a Galeria Vittorio Emanuelle II, uma das primeiras construções em ferro e vidro com grande vão de cobertura; tentamos ver a Última Ceia, de Leonardo DaVinci, mas já estava lotado por 2 semanas adiante. Enfim, detalhes à parte, a viagem foi muito boa, conseguimos conhecer duas cidades, Bruges e Bruxelas, mas Bruges é bem mais interessante, seu charme de cidade medieval cortada por canais me conquistou.
O melhor chocolate do mundo - Godiva, é fabricado na Bélgica, aproveitei e comprei um regalo para a minha madre, que deve estar com saudades de mim (ou do chocolate belga?). Difícil mesmo é achar alguma coisa pra comprar pro meu pai, porque ele já tem de tudo!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Firenze

Neste fim de semana foi a vez de conhecer Firenze (do português Florença), localizada na região da Toscana da Itália. Loco da civilização artística, mecenas e Renascimento, entrou pra lista dos locais mais belos já vistos por mim.
Sexta era aniversário da Fernanda, então em princípio a viagem foi feita em função disso, entretanto, as coisas não aconteceram dessa maneira. Mesmo assim, valeu a pena visitar todos os pontos turísticos oferecidos pela cidade da Arte.
Como pegamos o trem noturno na sexta, chegamos somente ao sábado pela manhã/madrugada; começamos a fazer um percurso em direção ao centro da cidade, passando pelos pontos de interesse no caminho, como a Igreja de Santa Maria Novella, depois fomos ao Palazzo degli Uffizi, onde estão as pinturas de Rafael Sanzio – Nascimento de Vênus, e Leonardo DaVinci – A Anunciação, muito bonitos, mas não são nenhuma Monalisa =)
Margeamos o Rio Arno, passamos pela Ponte Vecchio, local onde localizam-se apenas grandes joalherias da cidade, uma tentação que só vendo, pela que a jóia mais baratinha custava APENAS 120 EUROS, uma barganha praticamente.
Nos perdemos nas ruas dessa cidade lindíssima, que ainda dá privilégios demais para os carros, pois a largura das calçadas deixou à desejar. Mas a vista espetacular da Basílica di Santa Maria dei Fiori – Duomo di Firenze, com sua fachada em mármore branco e verde, juntamente com o Battistero e o Campanile di San Giovanni, fazem um conjunto arquitetônico de tirar o fôlego, tanto para os não simples turistas como para os aspirantes à bons arquitetos. E a vista do alto da cúpula é ainda mais estonteante, pode-se ver toda a cidade, as casas de altura regular, os pontos distintos da Basilica di Santa Croce ou a Chiesa di San Spirito, ou a torre do Palazzo Vecchio, todos como que imoralizados nas suas perfeitas linhas de construção.
Seguindo caminho, passamos pelo Palazzo Medici, família abastada que dava suporte aos artistas de renome, como Michellangelo, Rafael e DaVinci, sem essa família rica possivelmente não existiria o Davi, outro item imperdível, localizado na Galeria dell’Academia. Um homem de 6 metros de altura e uma bundinha de mármore muito sarada heheh (o meu pai vai ficar assustado quando ler isso, mas ele sabe que é brincadeira né papi??).
Antes de dormir, fomos à Piazzale di Michellangelo, localizada no alto de um morro, onde se tem também uma vista belíssima da iluminação geral da cidade; também lá se localiza um Davi falso, mas é praticamente a mesma coisa que o original.
No final do dia, chegando ao albergue, achamos que iriam retirar nossos órgãos enquanto estivéssemos dormindo, pois a dona do hotel na verdade era russa, e falava estranho italiano e não entendia inglês, mas era €10, não se podia rejeitar tal oferta. Tivemos que ficar num quarto misto, com umas pessoas desconhecidas, houve uma sinfonia de roncos e suspiros, mas deu pra descansar qualquer coisa.
No domingo, Dia Internacional da Mulher, tínhamos entrada gratuita em diversos museus, então aproveitamos para lavar a alma na cidade que cobra até pra entrar ao banheiro. Visitamos o Palazzo Pitti, antiga residência da família Medici, e o Giardino di Boboli, lindo jardim do Palazzo, com fontes, esculturas e imensas áreas verdes. Também fomos ao Palazzo Vecchio e na Piazza della Signoria, em pela tarde decidimos ir à Pisa, visitar a torre.
Chegamos lá e estava quase noite, mas pelo menos conseguimod tirar a tal foto de todo o turista orgulhoso. Ficamos por lá até a partida do trem noturno para Torino, às 2:25.
Chegando em Torino, outra semana de faculdade me aguardava. Agora as coisas estão ficando não muito atraentes, aparentemente nós não fazemos sucesso com os italianos, porque não temos grupo de projeto, as apresentações de análise da área não estão muito boas, mas espero que melhore, é só uma questão de adaptação.
Esse fim de semana vou me atualizar, ficar por aqui, limpar o apê. Acho que vou pra Londres 30 de abril, visitar meu irmão e ver a Laura que vem pra cá também. Preciso das minhas roupas de verão!
Ci vediamo, Baci!

terça-feira, 3 de março de 2009

Roma

Neste fim de semana resolvi me envolver numa indiada sem tamanho: decidi ir para Roma com a Fernanda. Primeiramente ela iria na sexta pela manhã para encontrar-se com o namorado, que iria fazer uma conexão para o Brasil, e eu, como não queria perder a aula de sexta ao meio-dia, acabei pegando um trem noturno na sexta, chegando às 6 da manhã de sábado (muitos motivos me levaram a escolher o trem noturno, sendo o principal deles o dinheiro, pois a passagem noturna é extremamente barata em comparação com as outras opções em outros horários e de maior rapidez de trem). Mesmo com todo mundo dizendo que no trem noturno coisas ruins podem acontecer, eu e minha coragem embarcamos para Roma às 22h. Inicialmente fiquei sozinha na cabine, mas pelas 2h entra um sujeito meio japa que me exigiu atenção para que nada de ruim me acontecesse. No fim foi tudo certo, as pessoas ficaram me assustando por nada.
Sábado o dia foi extremamente quente e ensolarado, muito diferente dos dias cinzas de Torino; conseguimos visitar a maioria dos pontos turísticos de Roma: Piazza della República, Fontana di Trevi, Piazza Navona, Pantheon, Colosseo, Teatro di Marcello, Foro Romano, Piazza Venezia, Piazza di Spagna, Piazza del Popolo, Piazza di Campidoglio, Termas de Caracalla, la Boca della Verità, Campi dei Fiori. Tudo foi absolutamente lindo, é como se a história tivesse sido literalmente petrificada e preservada para que os olhos mortais possam contemplar como tudo era antes. As batalhas no Colosseo, as feiras nas principais praças, as decisões tomadas no Foro, é como se, na nossa pura imaginação, estivéssemos presenciando tudo, como observadores fantasmagóricos da História da Humanidade, onde tudo começou, de onde tudo se baseou, Política, Democracia, Arquitetura, Artes.
Acho que, das minhas melhores visões, adiciono à lista o momento de entrada ao Colosseo, é como se estivéssemos na pele de um gladiador, pronto para morrer para dar entretenimento à plebe, ou como se estivéssemos enxergando a política de “pão e jogos”, alternativa dos imperadores para mascarar as atividades corruptas que executavam e que, por consequência, deixaram o povo passar fome e necessidades básicas. Mas, a visão ainda é de se tirar o fôlego (não tanto quanto no momento em que nos aproximamos da Torre Eiffel em Paris).
Infelizmente domingo não foi um dia tão satisfatório como sábado. Primeiro porque começou a chover e Roma praticamente virou uma Rua da Praia com tanto indiano tentando vender um guardachuva; segundo porque a Capela Sistina não abre aos domingos, e isso eu só descobri quando era tarde de mais; e terceiro, porque a Fernanda, que tinha decidido viajar de avião, foi embora pelas 14h, me deixando comigo e minha mochila até as 23h, hora de eu pegar o outro trem noturno para voltar pra Torino.
Enfim, pela manhã visitamos o Vaticano e suas dependências, e eu tive outra visão de se estupefar, através do alto da cúpula da Basilica di San Pietro, o qual para chegar ao topo, exigiu 553 degraus para a divindade, mas valeu a pena. Depois disso fomos ao Castello di Sant’Angelo, que não é grande coisa, e depois voltamos à Piazza San Pietro, com suas colunatas e diversos turistas com seus guardachuvas coloridos, para ouvir o Papa falar… Ao final era pra ele ter dado à benção em diversas linguas, inclusive em português, mas acho q ele esqueceu das almas brasileiras.
Depois disso fomos almoçar no restaurant mais classic italiano: McDonalds! E estava tão bom! Fazia tempo que não comia uma carnezinha aqui, um churrasco cairia muito bem.
Pela tarde fui a alguns outros pontos, como a Chiessa di Santa Maria Maggiore, que estava fechada, e a Chiesa de Santa Maria di Trantevere, no qual eu fiquei pra missa e rezei para que as minhas primas tenham gravidez saudáveis.
O trem noturno de volta foi estranho; primeiro que o cara que trabalha no trem me abordou dizendo que eu era muito bonita para estar sozinha na cabine, o que não era aconcelhável com relaç!ão à segurança, e então ele pede pra eu ficar com outra pessoa porque seria muito perigoso estar sozinha. A guria que veio pra cabine era super legal, estudava na Politecnico também, a gente pôde dormir um pouco – dos males o menor.
O trem foi ok, depois de eu não estar mais sozinha…
Ciao ragazzi

Primeira semana de aula

As aulas começaram… agora é pra valer, chega de brincar de casinha. A primeira aula foi de abalar, projeto arquitetônico/urbanístico, 13 créditos. A disciplina consiste na projetação e revitalização de uma área de Torino, na qual localiza-se a Estação Ferroviária de Stura, no extremo Norte da cidade, a fim de integrá-la ao Settimo Torinese – autoestrada de alta velocidade que liga Torino à Milano e Venezia. Ufa, quase perdi o ar pra explicar isso =) Enfim, os professores parecem muito experientes, acho/tenho certeza que vai ser beeem difícil, tirando o fato de que a disciplina é toda em italiano, nada de se safar com o inglês básico de todos os tempos.
Juntamente com a disciplina de projeto, devo fazer mais duas cadeiras como parte do pacote “Projeto Arquitetônico”, uma mais teórica, sobre o tratamento da paisagem e do espaço aberto junto à cidade ou em áreas residuais, e outra relacionada ao modelamento 3D em diversos programas, como AutoCAD (obviamente), 3D Studio Max, Sketch Up, Google Earth (para quê??) e Rhino Ceros, este último estou louca pra aprender, dizem que é bem bom, mas bem difícil de dominar.
Além de Projeto, escolhi a disciplina de Restauro, beeeeeem difícil mesmo, o professor simplesmente fala por 2 horas corridas, sobre diversos assuntos relacionados à evolução urbana de Torino e da sua região metropolitana, e eu fico catando estrelas, isto é, as frases que eu consigo entender, eu copio, mas no final das contas, eu consigo entender o contexto geral, mas tenho no caderno um monte de frases meio desconexas, espero que com o tempo eu melhore meu entendimento. Também estou fazendo italiano extensivo na Universidade, que é bem bom, acho que com tudo isso eu devo aprimorar meu dialeto familiar.
Como conclusão geral desta primeira semana, posso resumir em algumas palavras chave: entusiasmo, pavor, euforia, pavor, alegria, pavor E MEDO. Mas, posso dizer com certeza que essa experiência está sendo a melhor da minha vida, simplesmente tudo está fantasticamente ótimo, acho que não houve melhor momento pra eu sair um pouco do Brasil, desligar algumas conexões, criar novas, melhores, mais interessantes, com diversas culturas, mundos diferentes. Cada dia é uma nova descoberta.
P.S.: Passei na primeira prova, hoje saiu o resultado do exame de italiano, e eu fiz 25/30!